sexta-feira, 2 de maio de 2008

Não quero Rosas


Como todo ser sou amante nata da literatura , é simples cheia de opostos contradições, desabafos, erotismo e romantismo desde o barroco a literatura contemporânea.

Então nada como extrear aqui um dos meus favoritos Fernando Pessoa.


Não quero rosas, desde que haja rosas.

Quero-as só quando não as possa haver.

Que hei-de fazer das coisas

Que qualquer mão pode colher?
Não quero a noite senão quando a aurora

A fez em ouro e azul se diluir.

O que a minha alma ignora

É isso que quero possuir.
Para quê?... Se o soubesse, não faria

Versos para dizer que inda o não sei.

Tenho a alma pobre e fria...

Ah, com que esmola a aquecerei?...

Fernando Pessoa, 7-1-1935.


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