Mas não, o que mais anciava,desejava, sonhava mesmo, enfim aconteceu.
Nos encontramos, nos vimos em meio a multidão, entre corações apreensivos e pensamentos do tipo:
- Cade ela, será que vem, será que foi embora...?
Fomos pra casa, e entre mãe e irmã, que tarde alegre eu a olhava admirda por ela estar lá comigo , por estar no meu espaço, eu a admirava pensando e repetindo:
- Como e lindo meu amor!!
Assim como nos encontramos, nos despedimos, enrolei o maximo para este finalmente , até que em pedaço do caminho bem no começo mesmo, ela disse:
- Posso te tocar?
Eu respondi já pegando em sua cintura:
- Nem deve perguntar uma coisa destas e sim já ir fazendo.
- Mas vai saber , tem gente que não gosta que toque ou aproxima-se quando está perto de sua casa...
- Amor, eu respondi, levanto a bandeira , a favor que todos temos e devemos como qualquer outro casal expressar nosso amor por quem quer que seja, homem ou mulher. ( no nosso caso mulher com m maiusculo).
Chegando ao ponto final, o mais crucial de nosso caminho de volta a nossas casas, ela ainda disse :
-Aqui todos me conhecem.
Imaginem minha linda expressão, mas deixando isto de lado voltei pra casa, após tomar um big sorvete pra vamos dizer ..." esfriar " , chego em casa e leio um texto bem interessante dizendo exatamente o que penso:
No entanto a maioria dos gays e lésbicas do nosso país ainda prefere viver segregada. A facilidade que o gay tem para esconder a orientação sexual da família, no ambiente de trabalho e no espaço público, faz com que exista uma falsa impressão de que é plenamente acolhido pela sociedade quando de fato esse abrigo é bem meia-boca: tudo bem, pode ser lésbica, mas não beije sua namorada num shopping center...
Você pode achar que passa sua vida numa boa sem beijar sua queridona num shopping, mas isso é sim segregação. A ocupação do espaço público é importantíssima para qualquer pessoa. É em público que encontramos os outros cidadãos que compõem nossa sociedade e, se queremos fazer qualquer coisa na vida que não seja entre as quatro paredes do nosso quarto, é no espaço público que iremos trabalhar para melhorar, entreter e transformar o mundo ? nossa volta.
Por isso é necessário que os homossexuais ocupem o espaço público de maneira honesta e franca porque se deixarmos todo nosso poder de sedução trancados no armário, além de parecermos tolos, mal amados e assexuados, estaremos privando a sociedade da nossa valiosa contribuição como cidadãos.
Nossa pulei da cadeira, quando li este pequeno texto , extraido de um livro , que apenas estava lendo por um acaso, pensando em compra-lo. ( sim decidi comprar na mesma hora).
Foi e é exatamente o que penso sobre nós homossexuais, por que esconder ou nos reprimir achando que temos que nos refugiar, ou achar que os outros ( heteros) irão reclamar, dizer, pensar e /ou nos ofender.
Pera ai, se vivemos num pais democrático que mesmo ainda com alguns empecilhos, acreditarmos ou acharmos que não podemos ou devemos mesmo expressar nosso amor por alguem que seja do mesmo sexo que o nosso, acho que estamos sim completamente enganados.
Que estamos simplesmente negando nosso modo de ser e/ou gostar de alguem, não quero dizer que temos , que sair por ai beijando a todos agarrando mostrando explicitadamente o que fazemos com o outro em nossos quartos.
Estou sim querendo dizer que nosso amor deve ser mostrado e sim visto como um relacionamento comum que sai do armario, das quatro paredes de nossos quartos e passe por todos os lugares.
Que possamos sim dizer de boca cheia que temos um relacionamento homossexual sadio, comum, por que não né,( afinal trabalhamos , estudamos...) e claro com consciência de que somos ou são duas pessoas maduras que sabem bem o que querem e gostam.

Nenhum comentário:
Postar um comentário